Resultado do Estudo Ergonômico na atividade de Cat Sitter
O censo de ergonomia é a ferramenta ergonômica, no qual o trabalhador expressa sua percepção a respeito das atividades que executa, informando desconfortos, dificuldades, fadigas, assim como intensidade, além de sugerir melhorias para sua rotina de trabalho. Pela aplicação da ferramenta é possível identificar ou afastar situações de risco ergonômico em determinado setor ou atividade.
Atenta a ergonomia de trabalho, a “Cat Sitter de Sucesso” solicitou e permitiu divulgação do Censo de Ergonomia para Cat Sitters, com a finalidade de conhecer e expor a situação ergonômica da atividade. Tal censo decorreu entre os dias 16 e 25 de setembro de 2020, aberto a todas as profissionais, por meio eletrônico. O Engenheiro de Segurança do Trabalho, Bruno Silva, analisou as respostas e chegou nas seguintes conclusões:
Os resultados apontaram para situações de desconforto ao longo das visitas e 72,7% das respostas relataram situações de desconforto. Porém, quanto à intensidade do sentimento, evidenciou-se desconforto na execução das atividades diárias, sendo que apenas 20% das respostas reportaram não sentir nenhum incômodo.
Quanto a atividade que mais recebeu apontamentos como fonte de desconforto foi a limpeza das caixas de areia. Consequentemente, as costas e os membros inferiores foram as partes do corpo que mais foram apontadas como mais exigidas ao longo das atividades.
Ao combinar a resposta de ambas as perguntas, entende-se o por que das costas e os membros inferiores sofrem grande pressão, dada a necessidade de se abaixar para fazer um trabalho ao nível do chão. Mesmo que o tempo não seja duradouro ou que não haja cargas pesadas a serem movimentadas, o fato de se abaixar para a posição de cócoras e permanecer nesta posição, provoca pressão nos meniscos do joelho, ou se abaixar fletindo o corpo sem uso dos joelhos, exige que os músculos das costas suportem a todo peso da parte superior do corpo, o que é doloroso. Hudson (2014) aponta que uma das principais situações de sobrecarga para coluna é trabalhar com o tronco encurvado ou torcido levam a fadiga por contração muscular estática dos músculos do tronco, e podem levar a acometimento mais grave dos discos intervertebrais, que em casos extremos, podem levar a hérnia de disco.
A fim de aliviar a execução da atividade, e focando na melhora da qualidade de vida das cat sitters, como modo de preservar a coluna vertebral das profissionais, Bruno ainda recomenda:
Manter postura vertical, evitar dobrar o corpo fazendo ângulos de 90˚ pressionando os músculos da coluna. É preferível se ajoelhar brevemente, mesmo que em apenas um joelho e manter, o máximo possível, a posição vertical da parte superior do corpo;
Aproximar o ponto de trabalho do corpo, evitando torções e esticamentos para atingir tais locais. De fato, seria ideal elevar as caixas de areia para fazer a limpeza em superfície elevada, porém, dado as limitações do local, é preferível levar o corpo o mais próximo possível, mantido a preferência para postura vertical;
Retornar a posição vertical frequentemente e revezamento com outras atividades. Quando na impossibilidade de observância dos pontos anteriores, e em locais com muitas caixas de areia, de preferência para, constantemente, retornar a posição vertical do corpo e executar outras atividades da rotina de cat sitter que não exija esforços da coluna.
Alongamentos e exercícios físicos de fortalecimento possuem benefícios locais que não devem ser desprezados, no entanto, executar apenas estas medidas não são suficientes para prevenir lesões, dado que a repetição e teor dos esforços exigidos ao longo da jornada de trabalho são mais significativos do que os benefícios trazidos, por isso, recomenda-se sua aplicação, mas de forma complementar.
Por fim, prevenir lesões, de qualquer natureza, e em qualquer parte do corpo, é mais vantajoso do que se afastar do trabalho para tratar lesões e doenças.
Cuide-se e sempre escolha a prevenção!
Referência Bibliográfica.
Couto, Hudson de Araújo. ERGONOMIA DO CORPO E DO CÉREBRO NO TRABLAHO: OS PRINCÍPIOS E A APLICAÇÃO PRÁTICA. Belo Horizonte: Ergo, 2014. 536p.


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